sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Sobre Praias, Sudoku e Fones de Ouvido...


Sexta-feira!!!! Qual será o programinha básico do finzão de semana?? Lagartear na praia, se der sol, lagartear na rede se o tempo fechar...
Tô ficando viciada em praia, sudoku e fone de ouvido... Não tem combinação melhor! Mais tarde eu dou dicas do que eu ando ouvindo.
Só tem um problema em viciar no sudoku: É que o meu outro vício acaba ficando meio de lado - ler! Eu não carrego mais livro nenhum pra cima e pra baixo e vou acabar entrando em crise de abstinência hora dessas.
Em compensação, como eu amo ouvir música!!!! Gente, música é meu "veneno antimonotonia"...
Dá pra viajar, dançar, amar, fugir pra um universo paralelo sempre que é preciso!
Sabe a sensação de ouvir uma música e ela te transportar pra um determinado momento da vida? Lembrar de pessoas marcantes, de decisões tomadas (erradas? certas?), de dias especiais...
Tá legal, vai uma dicazinha pra vocês curtirem: Down to You da Joni Mitchell, com um instrumental que é sublime... Enjoy it!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Tarde...


Essa é a minha idéia pro fim-de-semana. Se tiver boa companhia pra ajudar no Sudoku, então, fica perfeito!...

domingo, 4 de janeiro de 2009

Sem Ilusões

Eu não faço o estilo menininha-romântica-que-chora-lendo-poesia... Mas há que se dar o devido valor a um texto escrito com a alma, como o seguinte:


Longe do Meu Lado

Renato Russo

Se a paixão fosse realmente um bálsamo
O mundo não pareceria tão equivocado
Te dou carinho, respeito e um afago
Mas entenda, eu não estou apaixonado
A paixão já passou em minha vida
Foi até bom, mas ao final deu tudo errado
E agora carrego em mim
Uma dor triste, um coração cicatrizado
E olha que tentei o meu caminho
Mas tudo agora é coisa do passado
Quero respeito e sempre ter alguém
Que me entenda e fique sempre ao meu lado
Mas não, não quero estar apaixonado
A paixão quer sangue e corações arruinados
E saudade é só mágoa por ter sido feito tanto estrago
E essa escravidão e essa dor não quero mais
Quando acreditei que tudo era um fato consumado
Veio a foice e jogou-te longe
Longe do meu lado
Não estou mais pronto para lágrimas
Podemos ficar juntos e vivermos o futuro
Não o passado veja o nosso mundo
Eu também sei que dizem
Que não existe amor errado
Mas entenda, não quero estar apaixonado.

Um dia frio...

Timidez
Cecília Meireles

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve…

- mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes…

- palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

- que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando…

e um dia me acabarei.

domingo, 23 de novembro de 2008

...Porque Tu Foste pra Mim...

É Preciso Dizer Adeus

Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes


É inútil fingir
Não te quero enganar
É preciso dizer adeus
É melhor esquecer
Sei que devo partir
Só me resta dizer adeus

Ah, eu te peço perdão
Mas te quero lembrar
Como foi lindo
O que morreu

E essa beleza do amor
Que foi tão nossa
E me deixa tão só
Eu não quero perder
Eu não quero chorar
Eu não quero trair
Porque tu foste pra mim
Meu amor
Como um dia de sol

Um dia de nostalgia...

Faz sentido...


Canção do amor demais

Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes


Quero chorar porque te amei demais
Quero morrer porque me deste a vida
Oh meu amor, será que nunca hei de ter paz
Será que tudo que há em mim
Só quer sentir saudade

E já nem sei o que vai ser de mim
Tudo me diz que amar será meu fim
Que desespero traz o amor
Eu nem sabia o que era o amor
Agora sei porque não sou feliz

Ah! Se eu fosse Eurídice...

Quem não gostaria de ouvir tal declaração da pessoa amada??


Monólogo de Orfeu

Mulher mais adorada!
Agora que não estás, deixa que rompa
O meu peito em soluços! Te enrustiste
Em minha vida; e cada hora que passa
E' mais porque te amar, a hora derrama
O seu óleo de amor, em mim, amada... E sabes de uma coisa? cada vez
Que o sofrimento vem, essa saudade
De estar perto, se longe, ou estar mais perto
Se perto, - que é que eu sei! essa agonia
De viver fraco, o peito extravasado
O mel correndo; essa incapacidade
De me sentir mais eu, Orfeu; tudo isso
Que é bem capaz de confundir o espírito
De um homem - nada disso tem importância
Quando tu chegas com essa charla antiga
Esse contentamento, essa harmonia
Esse corpo! e me dizes essas coisas
Que me dão essa fôrça, essa coragem
Esse orgulho de rei. Ah, minha Eurídice
Meu verso, meu silêncio, minha música!
Nunca fujas de mim! sem ti sou nada
Sou coisa sem razão, jogada, sou
Pedra rolada. Orfeu menos Eurídice...Coisa incompreensível! A existência
Sem ti é como olhar para um relógio
Só com o ponteiro dos minutos. Tu
És a hora, és o que dá sentido
E direção ao tempo, minha amiga
Mais querida! Qual mãe, qual pai, qual nada!
A beleza da vida és tu, amada
Milhões amada! Ah! criatura! quem
Poderia pensar que Orfeu: Orfeu
Cujo violão é a vida da cidade
E cuja fala, como o vento à flor
Despetala as mulheres - que êle, Orfeu
Ficasse assim rendido aos teus encantos!
Mulata, pele escura, dente branco
Vai teu caminho que eu vou te seguindo
No pensamento e aqui me deixo rente
Quando voltares, pela lua cheia
Para os braços sem fim do teu amigo!
Vai tua vida, pássaro contente
Vai tua vida que eu estarei contigo!


Reproduzido do livro 'Orfeu da Conceição', Vinicius de Moraes, Livraria S. José, Rio, 1960.